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__________________ ____ ___CINEMA E SAÚDE MENTAL
_ _ _ _ _ __ _ __ __ _ ___ __ __ __ ___Por Luiz César Cozzatti
" in memorian"

Psiquiatra e Critico de Cinema- membro do PRONTOPSIQUIATRIA/CISAME

A PAIXÃO DE OLGA OU COMO TRANSFORMAR A HISTÓRIA NUM LUCRATIVO CAÇA-LÁGRIMAS

CONCERTO CAMPESTRE : UM GAÚCHO BEM ORQUESTRADO

O BARBARISMO CONTEMPORÂNEO NO ÚLTIMO FILME DO CANADENSE DENYS ARCAND-INVASÕES BÁRBARAS


‘VIVER’, DE KUROSAWA : A REDENÇÃO HUMANA ATRAVÉS DA BUSCA DE UM SIGNIFICADO PARA A EXISTÊNCIA

A PAIXÃO DE OLGA OU COMO TRANSFORMAR A HISTÓRIA NUM LUCRATIVO CAÇA-LÁGRIMAS

Para quem leu e se emocionou com a trágica biografia de OLGA, a companheira do líder revolucionário Luiz Carlos Prestes que foi deportada para a Alemanha nazista pelo governo Vargas no final da década de 30, a visão do (tele) filme de Jaime Monjardim é uma franca decepção. Por vários e explicáveis motivos que alinho a seguir.
Inicialmente, discute-se o recorte unicamente romântico desta saga político-existencial resgatada pelo jornalista Fernando Moraes. O que era análise tanto da relação de dois seres excepcionais como do contexto histórico que lhe serve de cenário transforma-se numa mera paixão sado-masoquista de uma mulher de ferro, a famosa baixinha invocada, e um homem tímido, virgem e submisso ao poder feminino. Do significado do grande militante, que liderou uma inédita campanha cívica pelo Brasil afora, pouco ou nada é referido. Em troca, sobra a caricatura de personagens históricos que ficam reduzidos a seres malévolos, bandidos de caras e bocas repelentes, o que é enfatizado por uma equivocada e primitiva caracterização física e psicológica, por uma direção incapaz de conter excessos talvez toleráveis na telinha mas inaceitáveis na telona do cinema.
Não ficam aí os equívocos. Se o roteiro ´é reducionista, simplório e populista, buscando ganhar a adesão imediata e emocional da platéia através de truques requentados , sua encenação segue na mesma linha, ignorando que há limites intransponíveis entre cinema e TV. O que funciona na telinha,como forma de segurar a atenção do telespectador – dividido entre os apelos visuais e sonoros do cotidiano – ou seja, uma ênfase nos primeiros planos, no corte rápido(um plano não pode durar mais do que segundos,sob pena de perder o espectador zapeador que maneja com onipotência o controle remoto), no choque sonoro que tenta atrair de qualquer maneira o ouvido e o olhar do espectador, transforma-se em irritante redundância quando tranposto para a grande tela do cinema.
DESLUMBRAMENTO
Para piorar tudo, o recurso abusivo e descriterioso do som dolby maltrata o ouvido do espectador incauto, já por si invadido por uma trilha onipresente e melosa de Marcus Vianna,que dá a impressão de ter a mesma duração do filme. O diretor mostra desconforto em usar a edição de som,que inclui momentos de silêncio, para nuançar os diferentes momentos dramáticos. Cada plano é iniciado por uma overdose de barulho, por portas abertas com violência, por gritos desesperados, um espetáculo de som e de fúria desmesurados que, antes de emocionar, irritam o espectador mais atento. É como se os defeitos de Glauber Rocha, essa mania de gritar com tudo e por tudo, se abatessem sobre uma narrativa extremamente limitada pela intenção de provocar emoções baratas e rasteiras no espectador mais ingênuo e manipulável.
Para isso contribuem também um certo sado-masoquismo(me lembrei imediatamente de A Paixão de Cristo, de Mel Gibson no que ele tem de ênfase no sofrimento pelo sofrimento), que tenta buscar antes o comprometimento imediatista e superficial do espectador que a sua comoção autêntica e verídica com a condição humana observada. E que vai para além do simplismo com que tudo é tratado. E não me venham fazer comparações com clássicos românticos como Casablanca ou Titanic, filmes de grande espetáculo que valem sobretudo por uma veracidade psicológica e por uma grandeza existencial de seus personagens que as caricaturas de Olga nunca atingem, tamanha a artificialidade e a superficialidade da proposta.
Mesmo a bela fotografia, que lembra a limpeza dos comerciais de TV, contribui para essa sensação de falsidade básica, de falta de arte e poesia, um bonitinho mas ordinário caça-lágrimas onde o que prevalece é o artifício calculado, a desonestidade básica com o espectador-alvo, vulnerável como todo ser de massa. Sai a verdade, entra o artifício catártico que nada acrescenta ao espectador além de alguns momentos lacrimosos e uma montanha de clichês antigos e eficazes na hora de chamar as bilheterias. O espectador sai do cinema como entrou, talvez u m pouco mais zonso por tanto barulho por nada. Continua ignorante do essencial, que foi preterido pelo acessório. Uma competente e milionária direção de arte, capaz de fazer de Jacarepaguá uma Rússia revolucionária ou um nevado campo de concentração nazista não redime o filme da boçalidade de sua proposta, desrespeitosa das contraditórias e legendárias figuras humanas e históricas que tenta evocar.
Decididamente, esse não é o cinema brasileiro com que sonhamos, o cinema de Luiz Fernando de Carvalho, de Marcos Bernstein, de Murillo Salles, de Walter Salles, de Eduardo Coutinho, de José Roberto Torero, de Roberto Moreira, de Evaldo Mocarzel,de Nelson Pereira dos Santos,de Liliana Sulzbach,de Carlos Gerbase de Jorge Furtado,de José Pedro Goulart.
Chega de cinema mauricinho. Queremos cinema compromissado com a realidade e a verdade, que usam o artifício do cinema como meio e não como fim. Amém!

CONCERTO CAMPESTRE : UM GAÚCHO BEM ORQUESTRADO (voltar)



Até o momento, a melhor das duas adaptações da obra do escritor gaúcho Luiz Antônio de Assis Brasil, Concerto Campestre iniciou mal o circuito dos festivais, sendo ignorado na premiação final do Festival do Ceará. A nosso ver, injustamente. Mas isso era previsível. A história gaúcha e o cinema que o evoca costuma ser incompreendido pelas platéias nordestinas e do centro do país. Falta-lhes o conhecimento suficiente para vencer preconceitos que datam da revolução farroupilha. Haja vista a recepção equivocada e preconceituosa a Netto Perde sua Alma, levianamente rotulada de ufanista e separatista, para não se dizer mais de duas bobagens escritas e faladas sobre o notável anti-épico de Tabajara Ruas e Beto Souza. A desmistificação da história oficial foi ignorada e trocada por uma leitura superficial e amadorística do filme. O resultado foi a rejeição em bloco por parte de críticos imaturos e desinformados.
O segundo longa de Henrique de Freitas Lima está sofrendo do mesmo processo de rejeição. Ninguém está atentando para os consideráveis progressos realizados pelo diretor de Lua de Outubro. Em que pesem falhas do roteiro, escrito a quatro mãos por José Mandel Fernandez, Pedro Zimmermann, Tabajara Ruas e o próprio diretor, o filme convence como entretenimento de massas digno e ponderável esforço de produção na ilustração de um dos modernos clássicos da literatura gaúcha. O espectador mais atento poderá fazer reparos à estrutura do roteiro, que começa muito bem com a descrição de cenários e personagens, mas despenca no terço final, quando se acumulam situações que exigem desfecho e esse acontece de maneira bastante abrupta, sem o necessário timing evolutivo que convença o espectador de sua propriedade. Com isso, o final parece reducionista e forçado,embora existente no original.
Mas Henrique evoluiu bastante de seus tempos de superoitista e curta-metragista e,mesmo, de seu longa primogênito. Ainda e sempre, um autor sensivel às demandas poéticas e existenciais de seu cenário de origem – a fronteira sul e sudoeste do estado – onde rende melhor, muito provavelmente devido à empatia inata com a fauna,flora e imaginário local, Henrique faz um concerto bem afinado. Artesanalmente sem reparos, ele orquestra bem os diferentes talentos sob sua batuta. A fotografia nuançada que consegue distinguir interiores e exteriores, valendo-se de maravilhosos planos gerais que valorizam o cenário natural e de época, reconstituído pela precisa direção de arte de Bia Junqueira e /Adriana Borba. Mesmo o elenco, que poderia ficar inibido frente à exuberância de um veterano como Antônio Abujamra, sai-se corretamente da empreitada,destacando-se revelações como a novata Samara Felippo (conhecida do grande público pela minissérie televisiva A Casa das 7 Mulheres ) e a primeira dama do cinema gaúcho, Araci Esteves, ambas harmônicas na díade mãe-filha.

Mecenas

O major Eleutério Fontes (Abujamra) é um dos tantos estancieiros que fizeram fortuna com o charque na Pelotas do século XIX. Um dia, ao ouvir a música executada por dois índios guaranis, apaixona-se pela arte sonora, contrata a dupla para ilustrar suas refeições e, para a idéia de constituir uma orquestra, não há muita demora. Indicado pelo padre, surge o maestro(Leonardo Vieira), por quem a filha do major logo se toma de amores, contrariando as expectativas do pai, que via com prazer a corte do sobrinho do barão(Alexandre Paternoster,de O Quatrilho). Esta releitura de uma situação tornada clássica por Shakespeare em Romeu e Julieta ganha seus contornos de realismo mágico, ilustrando tanto o conflito de gerações como a vitória do amor sobre os condicionamentos sociais.
Faz bem Henrique em se mostrar fiel aos cenários de sua infância. É lá, na imensidão do pampa, na temática rural, que ele se mostra à vontade e com direito a uma reflexão poética que invade, com propriedade, suas imagens por vezes épicas. Isso aconteceu no seu filme de estréia, o longa em super 8 Tempo sem Glória , que venceu Gramado 84 na categoria. A primeira metade do filme, em ambientação campesina, tem momentos dignos de um John Ford, no bucolismo e apego ao pago. A migração para a cidade na segunda parte cai na caricatura e no lugar comum, aliás, defeitos que perpassam os demais curtas do realizador(O Macaco e o Candidato, de 1990, A Hora da Verdade, de 1988) e seu primeiro longa,o desigual Lua de Outubro(1997), que tinha no roteiro confuso e na fraca direcao de atores seus pontos fracos.
Concerto Campestre e o primeiro exemplar bem sucedido de um filao ainda por ser descoberto e desenvolvido - o épico historico e intimista.

O BARBARISMO CONTEMPORÂNEO NO ÚLTIMO FILME DO CANADENSE DENYS ARCAND-INVASÕES BÁRBARAS (voltar)

Luiz César Cozzatti
Crítico de cinema e Psiquiatra

Já é quase uma unanimidade. Um dos dez melhores filmes de 2004 é o canadense Invasões Bárbaras (2003), realizado por Denys Arcand, como uma espécie de continuação de seu O Declínio do Império Americano (1986). Seus protagonistas são professores universitários às voltas com as solicitações e contradições da vida moderna e pós-moderna, as variadas crises sofridas e as ideologias que se sucedem vertiginosamente num mundo em constante mutação de valores. Arcand é um filósofo que se vale da câmera para questionar a condição humana, uma versão americana (canadense) do aposentado mestre italiano Michelangelo Antonioni,que nos anos 60 registrou em magníficos planos-sequência toda o vazio de u ma sociedade baseada na afluência e no alto consumo. Seus personagens de A Aventura, A Noite e O Eclipse são membros de uma elite desencantada e cínica, incapaz de estabelecer um sentido humano nos relacionamentos baseados num narcisismo impiedoso e na incapacidade amorosa e de comunicação. Arcand traz personagens de classe média, igualmente desencantados e perplexos pelo neo-barbarismo dos tempos de globalização e neo-liberalismo, onde a ação coletiva foi desprestigiada e questionada como algo antigo e superado. Hoje,sabemos que antigo foi o laisser-faire que levou o Estado moderno a abdicar de seu caráter de coordenador e redistribuidor da riqueza privada. Ao voltarmos ao tempo das cavernas, onde prevaleceu a vontade do mais forte fisicamente(ou economicamente), chegamos a impasses civilizatórios que exigem o resgate de alguns valores atemporais e inerentes à espécie. Por isso, Rémy e seus amigos nos provocam um sentimento de cumplicidade e identificação quase imediatos. Seus pecados são perdoáveis, frente à manutenção de valores essenciais como a amizade, a solidariedade, a intimidade, a franqueza, a recusa à mentira e ao artifício. Frente ao barbarismo dos tempos neo-modernos, egoístas, onde a aparência suprimiu a essência, onde o que vale é a embalagem e não o conteúdo (não é à toa que vivemos sob a suave mas absoluta ditadura do marketing, essa diabólica invenção que faz da mentira objeto de dominação e lucro, de manipulação da ingenuidade das massas cuja única liberdade é a de consumir( quando se tem recurso e emprego para tal), a comunidade de amigos de Rémy antepõe a intimidade e a cumplicidade. Fico me lembrando do clássico de Ingmar Bergman, Gritos e Sussurros( 1973,disponível em VHS e DVD,de visão obrigatória), onde o que fica da vida são os pequenos e cotidianos gestos de carinho,compaixão, cuidado pelo outro, respeito por sua dignidade intrínseca. Ou do clássico de outro cineasta,o japonês Akira Kurosawa, Viver,onde o sentido da vida de um paciente terminal é obter junto à prefeitura um campo de esportes infantil. O título de outros filmes de Arcand, Jesus de Montreal e Amor e Restos Humanos, filmes extraordinários, painéis de toda uma lcivilização em crise, remete ao que realmente importa e que parece t]ao simples mas é tão difícil de praticar, num tempo marcado pela Lei de Gerson,onde todos querem tirar vantagem em tudo (e só se tira vantagem SOBRE O OUTRO). Grande e imprescindível Arcand, a nos colocar frente a um incômodo espelho,onde circulam temas sempre fundamentais como relação pais e filhos, o uso da droga, o poder do dinheiro, verdades e mentiras, intimidade do casal e por aí vai. Interessaria até os esquimós, na visão do sempre grande Nelson Rodrigues.


‘VIVER’, DE KUROSAWA : A REDENÇÃO HUMANA ATRAVÉS DA BUSCA DE UM SIGNIFICADO PARA A EXISTÊNCIA (voltar)

Por Luiz César Cozzatti
Psiquiatra e crítico de cinema



Rever um clássico vinte anos depois , em vídeo, deixa o cinéfilo angustiado. Teria o filme resistido à erosão do tempo e mantido intactas aquelas qualidades responsáveis pela boa memória do todo ou de cenas e seqüências significativas? Ou tudo não teria passado de supervalorização de um filme bem estimado pela crítica e assinado por um dos grandes gênios do cinema mundial? Com o coração na mão, loquei o vídeo (inexiste versão em DVD) na completíssima secção da clássicos da Espaço. Enfrentava, estóico, o risco: seja o que Deus quiser.
Para meu grande deleite e absoluta emoção, Viver ( Ikiru, 1952,F.J.Lucas Vídeo), do desaparecido mestre Akira Kurosawa (23/03/10-06/09/98), passou pelo teste e comprovou sua condição de absoluta obra-prima, dentro de uma filmografia repleta de trabalhos de grande envergadura estética e humana, que conjugam a maestria técnica com a mais pura e legítima emoção. Premiada pelo júri de Berlim 54 , esta película se filia ao estilo realista contemporâneo e urbano (gendai-Geki) que se contrapõe à outra vertente da filmografia do diretor, os filmes históricos como os célebres e multipremiados Rashomon (1950) e Os Sete Samurais (1954),os chamados jidai-Geki. Aliás, foi a premiação de Rashomon, com o Leão de Ouro em Veneza 51 e o Oscar 51 de filme estrangeiro, que tornou mundialmente famoso o cinema japonês. Graças à incorporação de uma estética que mescla elementos do cinema clássico japonês, inclusive mudo, e uma montagem na linha do russo Eisenstein, mais o humanismo generoso e a narração espetacular americana de John Ford e o realismo europeu de Jean Renoir, De Sicca e Visconti. Como escreve James Mônaco, na International Encyclopaedia of Film, Kurosawa foi um cineasta moderno, ao colocar em seus filmes e personagens os dilemas éticos e metafísicos característicos da cultura pós-II guerra. Seus protagonistas, como o obscuro e anestesiado barnabé Kanji Watanabe (vivido por Takashi Shimura, um dos atores mais constantes na filmografia do diretor, ao lado do também já falecido Toshiro Mifune ), são homens colocados frente à escolhas morais e éticas.

CAMUSIANO

É o mesmo Mônaco que observa o compartilhamento dos dilemas dos anti-heróis do filósofo e escritor existencialista Albert Camus com os personagens do diretor japones, diferindo no tipo de ação. Esta, em Kurosawa, é moral, pois sejam os mercenários de Os Sete Samurais ou o chefe da secção do Cidadão da Prefeitura de Tóquio, o que buscam esses personagens é um ato de redenção, que lhes dê um sentido para a vida e que passa pela doação e pelo compartilhamento social.Quando Watanabe descobre ser portador de um câncer de estômago, cuja sobrevida é estimada em seis meses, ele inicialmente busca a negação através da diversão, da vida noturna, da bebida, até chegar à inevitável constatação de que isso não é solução. Acidentalmente, descobre que as mães de um bairro no subúrbio reivindicam a construção de um parque de lazer para seus filhos. A partir daí, renegando a indiferença e o comodismo burocrático, ele toma a defesa da causa e armado de persistência, conseguirá vencer a inércia burocrática e se tornará, finalmente, um ser humano digno, solidário e amoroso, digno de todo o respeito. É a evolução do imbecil até o entendimento, a aquisição de uma consciência e o respectivo crescimento de um ser, até então, caracterizado pela indiferença ao sofrimento alheio.O solitário viúvo, na segunda parte do filme, é evocado por seus perplexos colegas de trabalho, que não entendem muito bem a radical transformação sofrida pelo falecido. Um grande humanista, Kurosawa faz de Watanabe um herói do cotidiano, alguém que, vivendo num mundo regido pelo caos moral, num vácuo de padrões éticos e comportamentais, finalmente opta por agir em prol do bem comum, saindo do seu apático narcisismo. O espectador mais sensível será convidado a sentir e repensar seus valores. Que mais bela função pode aspirar um artista e sua obra, de propor uma revisão existencial ao espectador? A verdadeira arte é sempre um processo de humanização e sensibilização. Viver é uma poética ilustração do poder transformador da arte.(Prestem atenção na cena em que oprotagonista se embala na praça ,cantando uma canção de ninar,sob a neve.) O resto é o barulhento silêncio do cinemão americano descerebrado, que se confunde com os games de última geração. A propósito: está disponível nas locadoras, entre outras obra-primas do diretor,como Kagemusha, Ran (versão do Rei Lear de Shakespeare), Ralé (baseado em Gorki) e O Idiota (sobre original de Dostoievski), O Barba Ruiva (Akahige,1965) O personagem título,vivido por Toshiro Mifune, dirige um hospital público e é confrontado por um jovem residente, que busca fama e fortuna na medicina, antes de passar por um processo de humanização( ou desalienação, como queiram). Interessa a qualquer ser humano, mas evidentemente por se tratar de uma história “médica”, sobretudo a todos os nossos colegas.


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